O trabalho científico do Google não deveria ser uma reflexão tardia no I/O

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O relógio bateu a primeira hora. Minuto 45. Sentei-me direito.

Demis Hassabis estava no palco. Ele não estava falando sobre chatbots ou anúncios. Ele estava falando sobre Gemini for Science. Problemas reais. Coisas pesadas. Eu estava viciado.

Se você adormeceu antes do final, perdeu o sinal no ruído. O Google está prevendo trajetórias de furacões. Agora. Quando o clima extremo está ficando mais violento e o orçamento da NOAA está diminuindo. Eles estão construindo gêmeos digitais da Terra para combater o desmatamento. Combater a insegurança alimentar.

Existem projetos médicos em andamento. Distúrbios imunológicos. Câncer.

É fácil esquecer que a IA tem razões nobres para existir. Claro, nenhum deles imprime dinheiro instantaneamente. Mas não deveriam ser apenas notas de rodapé. Não no Google.

A internet é um lixo. Os empregos estão em risco. Nessa névoa, estas descobertas científicas parecem âncoras.

“Parece uma simplificação excessiva, não apenas uma falha moral, mas um erro de marca. As pessoas têm medo da IA. Mostrar que ela cura doenças pode acalmar as águas.”

Talvez colocar a ciência em último lugar tenha sido um último esforço para terminar com uma nota alta. Depois de uma hora de ajustes incrementais no modelo que ninguém pediu? Possivelmente. Mais provável? O Google simplesmente valoriza a pesquisa e o vídeo gerador em detrimento da vida humana.

Isso parece um erro. A IA não é amada fora do Vale do Silício. Precisa de uma vitória. Um verdadeiro.

O Google quer que torçamos por uma IA que planeja festas no bairro. É difícil de vender. A maioria de nós apenas se preocupa com a possibilidade de um data center destruir a rede elétrica de nossa vizinhança para sediar aquela festa.

A cura versus o conteúdo

Tratamentos contra o câncer. Agora isso desperta o interesse das pessoas.

Hassabis fala sobre medicina com paixão. Décadas de entrevistas comprovam isso.

“Sempre acreditei que a aplicação número um… deveria ser melhorar a saúde humana.”

Ele está certo. Ele ganhou o Prêmio Nobel de Química. Ele construiu ferramentas para descoberta de medicamentos. Suas intenções parecem genuínas. Honorável.

Então, por que colocá-lo no palco para revelar um novo modelo de vídeo? Aquele que gera conteúdo, não cura? Onde está a humanidade nisso?

Hassabis poderia ser o Einstein de sua geração. Mas ele precisa que a empresa saia do caminho. Para deixá-lo se concentrar no que importa. Não o preço das ações no próximo trimestre.

Se ele tiver sucesso, o Google também vencerá. Eles financiam avanços quando os subsídios do governo acabam. Eles recebem o crédito. Os livros de história dirão isso.

Mas isso requer um jogo longo. Prioritizing good over profit. Esforços de financiamento que não rendem um centavo aos acionistas durante anos.

A Big Tech pode fazer isso? Ou o relatório trimestral vem sempre em primeiro lugar?